Máquina de Destruir Leitores

Autor: Jéferson Assumção
Título: Máquina de Destruir Leitores
Editora: Sulina
Páginas: 108

Jéferson Assumção em Máquina de Destruir Leitores (2000) fala sobre a relação entre a escola e o desesperantemente pequeno número de leitores no Brasil. Através da narração do estudante Italo, o autor mostra logo de cara as consequências de estar dentro da máquina: cegueira em relação ao mundo a sua volta, pois acha certo viver sem pensar sobre nada.
“Este livro só quer ser uma pequena contribuição, o ponto de vista do que sobrou de alguém que tentou ser leitor apesar da sociedade que conhecemos e, principalmente, apesar da escola.” , p. 10
Desde a primeira página, Jéferson nos choca ao narrar, de forma impactante, os processos de tortura pelos quais Italo é submetido. A máquina só deseja transformar a leitura em algo chato, cansativo e trabalhoso. Como a Máquina conseguiria realizar tal feito? 
“- Nada de ler, durante o tratamento, qualquer coisa com a qual você se identifique. Para desestimular você, é preciso que leia Machado de Assis, por exemplo. (...). Quando você desistir de tentar entender a maioria das palavras, começará a abandonar os livros um a um.”, p. 16

O sistema é personificado pela professora de literatura, Margarette, responsável por conduzir as torturas pelas quais Italo e seus colegas de classe passam. Depois de um longo período amarrado à cadeira, Italo vê seus colegas sendo vencidos, mas – estranhamente – é o único que ainda resiste ao poder de persuasão da máquina. Por quê? Porque os livros já haviam ganhado seu coração.
“Como é que eu detestava ler aquelas coisas, até mesmo ir à aula, se ao mesmo tempo adorava passar horas e horas dentro da biblioteca, por exemplo? Dentro dela, (...), eu me sentia a salvo. Foi naquele tempo que comecei a notar algumas coisas. Via que, na aula, simplesmente não engolia aquilo que a professora, a chicotadas, ou girando a manivela da máquina de esticar perna e braços, me forçava a ler.” (p. 20)
Em seus devaneios, Italo divaga pelo passado, narra o surgimento da escrita, e consequentemente, o dos leitores. Conta aonde a leitura foi parar depois de se criarem mil e uma formas de ler e encerra descrevendo as consequências de uma sociedade que não lê. Porque, infelizmente, a máquina é muito mais forte do que todos poderiam pensar, diz ele. 

Jéferson Assumção
Primeiramente Jéferson procura razões para a escola funcionar tão bem na sua função de Máquina de Destruir Leitores e entende que a culpa é da história e dos professores despreparados que não amam ler e consequentemente destroem gerações inteiras de leitores por associarem leitura à obrigação, por meio do sistema de notas que julga a interpretação da leitura de uma obra visando apenas aprovação no final do ano e quisá um emprego.

Ainda, Jéferson mostra quais serão as consequências dessas ações nos jovens: sem leitura não há humanidade, apenas grupos de pessoas com profundos problemas sociais, que não lutarão pelo que acreditam que seja certo, pois nem saberão que algo está errado. E é exatamente isso que o sistema quer e é para isso que a máquina serve. 

Depois afirma que os leitores foram evoluindo com o tempo e a escrita, disso surgiram dois tipo muito específicos de leitores: o leitor comum e o leitor científico. Assumção gasta umas boas páginas falando sobre as diferenças entre esses dois tipos, pois para ele quando as especificidades se tornaram mais importantes do que o sentimento na leitura, nasce a batalha entre leitura científica e leitura poética. 
“O leitor tem é que se afastar do que não lhe dá prazer e buscar aquilo que realmente gosta, nem que isto seja uma revista em quadrinhos.”, p. 33
No mundo corrido em que nós, leitores, vivemos hoje, ler se torna quase impossível, mas segundo Assumção, é inevitável que haja uma busca por outro tipo de leitura, senão a obrigatória. Pois ler é uma arte e por definição não busca descobrir ou conhecer nada, apenas encantar e impressionar. 
“'Leitura é uma vontade de demência'. E esta vontade é a que entra em choque com a praticada aqui dentro da Máquina de Destruir Leitores. A escola não tem vontade de demência. Ela tem vontade de ciência.”, p. 51
Uma coisa que achei muito legal foi a semelhança encontrada entre esse livro e A Arte de Ler, a menção ao perigo da superinterpretação. Ela acontece quando o leitor busca, incansavelmente, um significado maior e obscuro para aquilo que está lendo. E se esquece de perceber o que um texto quer dizer e só se importa com as várias interpretações possíveis nessa leitura. Por isso, ser leitor requer, além de paixão, responsabilidade para extrair do texto aquilo que ele diz, e não o que o leitor acha que ele diz.

Bom, só digo que é um livro super interessante e inovador, pelo menos nos anos 2000, mas será que o texto está desatualizado se consideramos o cenário educacional brasileiro atual? 

Monografia consumindo a minha vida... 
Boa Noite!




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