Literatura: leitores e leitura


Autora: Marisa Lajolo
Editora: Moderna
Páginas: 125
Onde comprar: Onde você achar, porque não está fácil!

Esse é meu primeiro livro lido para as aulas da Universidade. Yeah, sou oficialmente uma estudante de Letras. Indicada pela professora de Teoria da Literatura para começarmos nossas discussões a respeito do que é literatura, foi uma leitura muito interessante. Lajolo escreve como se conversasse conosco, nos levando desde o período helênico até a atualidade de forma suave e agradável. 

Questionados a todo momento sobre o que é literatura, somos levados a acreditar que a autora irá nos dar uma resposta no final de tudo aquilo, mas o que ela faz é confundir, dar mais material para pensarmos e analisarmos, e tentarmos descobrir o que é realmente literatura. Será que é somente aquilo que os "rabujentos de cara azeda" consideram literatura? É somente aquilo que é antigo? que é clássico? que é 'bom'? 

Afinal, quem pode nos dizer o que é 'bom'? Como podemos classificar um texto como literário ou não? Quais são os critérios? Quais são os parâmetros? Seriam os gostos? Se sim, de quem? De um leitor há tempos ou de um que está começando agora? De um adulto, adolescente ou criança? Literatura são só textos, livros? Seria essa a única forma aceita de arte de palavras? E a música? E a pichação? 

Sim, são muitas perguntas e essas são apenas uma pequena parcela das quais você poderá se fazer quando terminar o livro. Eu já sabia que Marisa não me daria uma resposta definitiva sobre o que é literatura, pois logo no começo ela me levou através das épocas e estilos: os gregos, a Idade Média, o romantismo, barroco, parnasianismo, modernismo etc, mostrando que a cada etapa, o conceito de literatura foi alterado. 
“O que é literatura? É uma pergunta complicada justamente porque tem várias respostas. E não se trata de respostas que vão se aproximando cada vez mais de uma grande verdade, da verdade verdadeira. Cada tempo e, dentro de cada tempo, cada grupo social tem sua resposta, sua definição. Respostas e definições – vê-se logo, para uso interno.” p. 23
Concluo disso que tenho o poder de definir o que é literatura, eu - uma simples leitora apaixonada por livros. Tenho em mim critérios que foram construídos por leitores como a Escola e o Vestibular que ditaram as obras que deveria ler. E querendo ou não, tais obras são consideradas literárias por possuírem um diferencial que as marcam e as fizeram perdurar até hoje. Seguindo essa lógica, obras "atuais" como Harry Potter, Senhor dos Anéis (considerados clássicas já!) podem se tornar "leitura obrigatória" em algum lugar do futuro. Por que não? Pelo menos é nisso em que acredito. 

Outro fato que Lajolo levanta (e eu acho super coerente comentar) é o crescimento absurdo do mercado editorial lado a lado à tecnologia. Que é a nossa realidade, certo? Leitores, blogueiros, livreiros etc. acompanharam o boom do mercado literário brasileiro. As traduções, os best-sellers, as modinhas, as adaptações cinematográficas que lotaram salas aos redor do mundo. Enquanto somos jovens, apreciamos a forma como essas histórias nos encantam e nos tornam apaixonados, quando crescermos e pudermos mudar alguma coisinha, será que essas nossas paixões juvenis não se tornarão referência para o ensino e a disseminação do nosso modo de pensar? 

Indo ainda mais longe, daqui a 100 ou 200 anos, o que, de toda essa produção editorial com a qual convivemos, será considerado literatura? Tudo? Apenas uma parte? Quais obras terão o prestígio de serem escolhidas por instituições de ensino como referência? Afinal, a literatura tem esse maravilhoso e incrível poder de criar mundo que não existem, de criar possibilidades e é isso que a torna tão mágica. Pegando os livros como exemplo, quem sabe não serão as fantasias e distopias que marcarão nosso século no mundo literário? 

Enfim, adorei a conversa que tive a todo tempo com a autora através desse livro e o recomendo para todos os apaixonados pela leitura. Porque, se eu não sei o que é literatura, como vou saber por quem ou que estou apaixonada? Sim, me pergunto isso muito depois da leitura desse livro. Mas a resposta que tenho é: literatura é tudo aquilo que meu crivo acreditar que é. Crivo este que, desde muito cedo, foi esculpido e constantemente mudado. Agora, tem um certo parâmetro e, tenho certeza, daqui alguns anos será completamente diferente.

E para vocês, o que é literatura? 
Beijos, boa tarde! 



12 comentários :

  1. Como estudei letras também, eu adorei a premissa dessa obra. Acho interessante essa visão mais aberta da literatura, apesar de não acreditar que HP se tornará leitura obrigatória no futuro.
    Pensar sobre a literatura é pensar sobre a vida.

    M&N | Desbrava(dores) de livros - Participe do nosso top comentarista de fevereiro. Você escolhe o livro que quer ganhar!

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    1. Marcos, você também é das Letras!
      Eu não acredito realmente que Harry será leitura obrigatória, mas acredito fortemente que é/será Literatura. E você?

      Pensar sobre literatura é não parar de se questionar nunca!
      Beijos

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  2. Izaaa,
    Adorei o texto, excelente! Fiquei muito curiosa para ler eles.

    Beijos

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    1. Rafa, que bom que você gostou *-*
      Se ler, me avisa!?

      Beijos

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  3. Hey Iza!

    Lembro de você comentando sobre esse livro da última vez que conversamos. Acho interessante esse debate sobre o que é literatura, mas ao mesmo tempo o considero desnecessário. Isso porque sei que as mentes diferem entre si e o que é considerado "clássico" muda para cada um.

    A sociedade em um todo não tem o costume de pensar em HP e SdA, por exemplo, como clássicos porque são fantasias. E, para as pessoas, o ramo da fantasia é algo rebaixado se comparado com outras obras.

    Posso dizer muita coisa sobre esse assunto, mas no fim cada um terá sua própria ideia do que é literatura ou o que vale a pena ler. Isso porque o que importa mesmo são os gostos particulares de cada um e, como ninguém é igual a discussão se torna eterna. E eu, particularmente, não tenho paciência para debates sem fim. Hahaha

    Mas adorei o fato de publicar um resenha sobre esse livro. Muito interessante e também traz outra perspectiva para o blog. :)

    Beijos

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    1. Deos, morri de rir "o considero inútil" hahahahahahah
      Posso sempre contar com você para trazer um pouco de luz às questões que não deveriam ser levadas tão a sério.

      Muito obrigada, eu realmente não vi um motivo para não colocar a resenha aqui, sabe? Faz parte do mundo literário também. E pode nos fazer pensar a respeito de tudo o que lemos.

      Beijos, Carolas

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  4. Uma coisa é certa sobre os livros de faculdade, só existem três tipos deles:
    1) Só servem pra te confundir, instigando perguntas e não dando as respostas, te induzindo a ir pesquisar mais e mais (ou ficar louca mesmo! haha)
    2) Eles te dão as respostas que eles acreditam ser as certas, normalmente esses são os prepotentes, onde as opiniões deles são lei e o resto é perda de tempo
    3) Aqueles que te dão várias hipóteses e teorias e no fim viram pra ti dizem: se vira neguinho, quero ver tu decidir qual é a certa, hahahah

    Ok, piadinhas à parte, achei o livro muito interessante e um tipo de leitura que eu provavelmente gostaria. Principalmente tendo em vista as reflexões que ele gera. Nos dias de hoje onde o mercado editorial aumenta cada vez mais, e termos como 'livros modinha' são usados em diversas conversas, onde livros estão sendo cada vez mais adaptados e virando fenômenos mundiais, questionamentos como esses vem bem a calhar!
    A minha opinião é que literatura é como cultura, não é só o que você gosta que é literatura/cultura. :)

    Att.,
    Eduarda Henker
    Só Mais Um - Blog

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    1. Eduarda, concordo plenamente com as suas divisões de tipos de livros universitários hahahahaha.

      Eduarda, te entendo! Nem tudo é, mas muitas coisas podem ser. Por isso temos que aprender a discernir entre as opções que temos hoje atrevés dos critérios e entender porque os livros clássicos são considerados literatura até hoje. Não gosto de aceitar sem questionar, sabe?

      beijos!!

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  5. Ainda bem que você já tem a devida consciência, logo no inicio da leitura, de que a autora não lhe daria as respostas que esperava. Afinal, melhor do que essas respostas (que vamos descobrindo por nós mesmos) são as perguntas. Acho elas mais validas quando se trata da obtenção do conhecimento.
    Sobre num futuro o que será literatura? Sinceramente, não sei. Só desejo que sejam obras que eu goste e principalmente, que eu tenha tido a oportunidade de vê-las se tornando algo 'maior' do que já foram um dia.

    Vento Literário

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    1. Nathalia, adorei o ponto que você levantou "melhor que as respostas, só as perguntas". Mas convenhamos, uma resposta sempre é mais satisfatória. As perguntas nos deixam com aquele gostinho de quero mais.

      Quanto ao "algo maior" seria o reconhecimento? a adaptação para o cinema? aludido pelas críticas? Eu também espero que sejam os livros que gostamos, se não, onde estaria a graça? hahahaha

      beijos!

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  6. Oi Izabela, :)

    É ótimo encontrar um livro que nos dê novos questionamentos ao invés de simplesmente nos levar a uma reposta não é?

    Achei interessante o modo como falou da escrita, e de como ele "impulsiona" o leitor ^^

    Beijos! ;*

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    1. Siiim, Dayane! Livros que nos impulsionam a pesquisar são ótimos (apesar de um pouquinho exasperantes hahahaha)

      Obrigada ^^

      beijos, volte sempre

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