#Literatura nas Telas - A Series of Unfortunate Events

Título original: A Series of Unfortunate Events
Ano de lançamento: 2017
Criadores: Daniel Handlr e Barry Sonnenfeld
Número de episódios: 8 (1ª temporada completa)
Elenco: Neil Patrick Harris (Conde Olaf), Malina Weissman (Violet Baudelaire), Louis Hynes (Klaus Baudelaire), Presley Smith (Sunny Baudelaire), Patrick Warburton (Lemony Snicket), K. Todd Freeman (Sr. Poe)

Sinopse:
Baseada na coleção campeã de vendas do escritor Lemony Snicket (também conhecido como Daniel Handler), “Desventuras em Série” conta a trágica história dos irmãos Baudelaire — Violet, Klaus e Sunny — órfãos sob a guarda do terrível Conde Olaf, que fará de tudo para colocar as mãos na herança das crianças. Os irmãos precisam constantemente despistar Olaf, frustrar seus planos malignos e investigar a misteriosa morte de seus pais.

Olá, leitoras e leitores do LOHS! Como sabem, eu, Bel, venho resenhando os livros de Lemony Snicket, Desventuras em Série (já temos os volumes Mau ComeçoA Sala dos RépteisO Lago das SanguessugasSerraria Baixo-AstralInferno no Colégio Interno). Sabem também que eu estava louca para ver a série desde que a Netflix anunciou a possibilidade de uma adaptação. Então é claro que esse post já era esperado, apesar de um pouco atrasado, não?

Venho falar um pouco sobre a minha experiência com a série em relação aos livros.

Você está bem a tempo de ver o acidente!

A Series of Unfortunate Events tem, até agora, uma temporada com 8 episódios. A cada dois episódios, um livro inteiro é contemplado, portanto a adaptação foi até o fim de Serraria Baixo-Astral. Apesar de já estarem familiarizados com o enredo, um resumo é sempre bom: Violet, Klaus e Sunny são irmãos e vivem felizes com seus pais. Violet é uma ótima invetora, Klaus é um leitor voraz e Sunny adora morder objetos. Os três vivem muito bem na mansão de seus pais até que, um belo dia, recebem a notícia de que seus pais morreram em um incêndio que destruiu sua casa e todos os seus pertences. Agora órfãos, são realocados para a casa do detestável Conde Olaf, seu parente mais próximo. O cruel aspirante a ator está atrás de sua fortuna, e não mede esforços para inferniza-los e segui-los aonde quer que vão.

Dentro desse universo, tudo é narrado pelo próprio autor, que aqui adota o pseudônimo de Lemony Snicket. Tendo sua própria história oculta, ele é um personagem crucial na história, contando sobre a vida dos Baudelaire como se fossem reais, e obtivesse informações a seu respeito por meio de pesquisas meticulosas e muitos anos de estudo.

Falando sobre os aspectos da série, percebi algumas alterações muito positivas, das quais gostei muito. Infelizmente, minha crítica não é tão positiva assim.

Das qualidades que encontrei, existe o jogo de cores escolhidas: alegres, fortes e chamativas, dão uma estética agradável à série, enquanto no filme — e até mesmo os livros — prevalecem tons cinzentos, como se fosse chover a qualquer instante. A série tem a vantagem de relembrar como os três irmãos podem ser miseráveis sem que o mundo ao seu redor seja diretamente afetado: as pessoas continuam tendo suas vidas, e as cores continuam existindo, independentemente do quão tristes os Baudelaire se sintam. É um ponto interessante de se pensar.

Outro ponto positivo foi o fato de o ator que interpreta Sr. Poe, K. Todd Freeman, e sua família (além de Alfre Woodard como Tia Josephine) serem negros. Nem no livro nem no filme vi alguma diversidade significativa, mas a série traz mais personagens negros do que o esperado — já que isso ainda não tinha sido feito, eu não esperava, mesmo. Apesar de ser uma escolha corajosa (vimos como foi polêmico a atriz de Hermione em HP & the Cursed Child ser negra, não é mesmo?), é o tipo de mudança que não interfere no andamento da obra, apenas a torna melhor. Representatividade importa, então é bom ver um pouco disso em uma série já tão popular.

É, eu também me surpreendi - valeu, Netflix!

E não poderia deixar de mencionar o ótimo retrato de Snicket vivido nas telas por Patrick Warburton. Apesar de um tanto mais sóbrio do que o narrador idealizado pelo livro, foi um bom caminho tomado pelo diretor: mais sombrio do que qualquer um poderia esperar, Warburton acaba encarnando o que seria o espírito da miséria que circula pelo enredo. É um pouco dramático, mas eu achei uma boa mudança, levando em consideração o fato de que a série não poderia seguir à risca a visão um tanto infantil que o livro tem: grande parte do público já passou dos 14 anos de idade e não se contentaria com a visão amaciada da obra original.

*Bônus: Joan Cusack como Juíza Strauss, uma surpresa adorável*

Sempre a coadjuvante, nunca a protagonista...

Começa, agora, o "fator Netflix" na equação, que eu chamo de “Uma faca de dois gumes ou Uma televisão de duas telas”. As séries de TV são condicionadas a um tempo de duração muito mais rígido - ou 20-30 minutos, ou 40-45, com pouquíssimas exceções. Já quando a série é uma original Netflix, as chances de essa duração não ser respeitada são muito maiores. No caso de A Series of Unfortunate Events, os episódios variam mais, de acordo com a necessidade do andamento da história. O que pode trabalhar em favor da história pode também acabar dando um tiro no próprio pé: não é segredo nenhum que os primeiros livros seguem uma fórmula quase sempre igual, certo? Assim são os capítulos filmados, o que significa que a mobilidade já não é muita; o que parece, à primeira vista, uma série bem detalhada, vira o que eu mais tento defender e o do que Lemony consegue fugir na obra escrita — algo enfadonho e repetitivo.

Agora, indo para o lado mais óbvio da questão, preciso comentar a respeito dos atores. Tanto Violet como Klaus estão razoavelmente bem no papel, até porque são as habilidades intelectuais das personagens que fazem dos irmãos algo especial. Sunny, por mais bobo que pareça, está realmente melhor na série, por ser mais nova do que a pequena Shelby Hoffman (pequena na época, né) e mais similar à Sunny do livro. Apesar de tudo, os três parecem muito apáticos tanto em comparação ao filme quanto ao livro, e me decepcionei um pouco com isso. Sei que muitos ouviram falar dos efeitos especiais no que diz respeito à Sunny — mas, honestamente, não sinto muito a interferência disso nesse caso, até porque aguentei várias temporadas de Once Upon a Time bem antes de a Disney tomar as rédeas da série...

E ah, é claro, não seria um texto meu sem pelo menos uma unpopular opinion: não, Neil Patrick Harris não é tudo isso como Conde Olaf, infelizmente. Ele retrata bem a aparência e a personalidade caricatas da personagem, mas não consegue superar o que já havia sido visto com Jim Carrey. Reconheço que o trabalho não era fácil, até porque não existe grande inovação com Olaf no que diz respeito a maneiras de interpreta-lo (ao meu ver, pelo menos), mas isso não quer dizer também que Harris pode ser inocentado de todas as acusações. Como grande fã da criação de Snicket em cima de Olaf e tudo o que ele representa, fiquei decepcionada. Acontece.

Olhando de cima a baixo, ele é tão convincente quanto 
os próprios disfarces (brincadeirinha)

Equilibrando tudo na balança, há cenários estonteantes, as melhores tiradas e um roteiro muito fiel para se colocar em oposição ao tédio e à apatia dos atores ao interpretarem suas personagens, bem como os efeitos especiais já mencionados e toda uma hype que acaba por superestimar a série. O que eu penso, afinal de contas, é que não é uma série “tudo isso”, mas ela tem seus encantos. 

Nunca fui de acreditar que adaptações têm alguma obrigação para com os fãs — livro é livro, série é série, um lance é um lance etc. Não existe coerência em querer que tudo seja fiel quando se tem uma transposição tão grande entre mídias tão diferentes quanto a literatura e o cinema. Nesse ponto, fico satisfeita com as pequenas mudanças feitas, e reconheço até a preocupação que houve em se manter dentro do esperado pelos fãs. Criticando, porém, a série apenas como esse formato, as atuações de fato são fracas e o enredo se estende. 

Ela agrada à maior parte dos fãs, mas não pode ser considerada nenhum sucesso estrondoso de adaptação. Recomendo muito mais o humor e a sutileza dos livros, sendo até uma competição injusta a escrita de Snicket contra quem quer que queira ser tão adoravelmente irônico quanto ele. 

Leiam os livros, crianças. Vejam a série em doses homeopáticas, caso queiram. Só não criem grandes expectativas (nem me atirem pedras por não ter uma crítica tão favorável).

Ou sigam o conselho do próprio "Lemony Snicket" (ele sabe do que está falando).




10 comentários :

  1. Oi Bel, ainda não li os livros dessa série, mas já ouvi falar da versão da Netflix e tenho que dizer que tô curiosa e quero conferir os pontos que você destacou como positivos e negativos, mesmo que as atuações não tenham sido o esperado. Apesar de não ter lido os livros, vi o filme sendo esse a referência que vou usar pra analisar a série quando assistir. ;)

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  2. Comecei a assistir o primeiro episodio,não deu para avaliar muito, mas parece que não é tudo isso mesmo. Gostei de saber que as alterações foram positivas, mas é uma pena que deixa a desejar nas atuações e enredo, confesso que esperava mais, mas acho que os livros devem valer mais a pena, também ainda não li.

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  3. Oi, Bel!
    Sabe que eu também não achei o Neil Patrick Harris tudo isso no papel?
    Me irritou em vários momentos, hahaha.
    Apesar de amar ele, gostei mais do Jim Carrey.
    Eu gostei muito da série, apesar de me dar uma melancolia sem fim! Gostei dos atores, apesar de achar que em alguns momentos eles parecem apáticos mesmo. As maiores tristezas e eles lá relativamente bem.
    A estética da série é maravilhosa mesmo.
    E, sim, eu também aguentei temporadas com efeitos terríveis em Once Upon a Time e sobrevivi, hahaha.

    Beijoooos

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  4. Bel!
    Talvez tenha sido a resenha mais completa e verdadeira sobre a série da Netflix, porque até agora só via elogios e até achei que os comentários eram perfeitos demais para uma série televisiva.
    Adorei ver os pontos positivos e negativos e embora não tenha assinatura na Netflix (ainda, seria uma série que gostaria de acompnhar, mesmo sem ter lido nenhum dos livros.
    “A sabedoria é a única riqueza que os tiranos não podem expropriar.” (Khalil Gibran)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/
    TOP COMENTARISTA ABRIL especial de aniversário, serão 6 ganhadores, não fique de fora!

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  5. Oi Bel!
    Amei o post, parabéns!!
    Eu assisti o filme quando lançou, amei mto a história, tenho mta vontade de ler a série, e agora já vou começar a acompanhar a série tbm.
    Bjs!

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  6. Oi, tudo bem?
    Sua resenha está perfeita, parabéns!
    Assisti o filme original e goste. Penso em ler os livros, mas não pretendo assistir a série.
    Beijos.

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  7. Oi,
    Ainda não li os livros, o que é uma vergonha, mas realmente não tenho tempo e dinheiro, então só posso usufruir da serie por enquanto, e apesar de concordar com os atores principais não estarem na sua melhor forma, tirando a bebe, mas e amo bebes, a serie me agradou bastante, e minha irmã ficou aterrorizada com o ultimo episódio, nem conseguiu dormir a coitada, para mim foi melhor do que o esperado, mas só tenho como comparar com o filme, então.
    Adorei a resenha.

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  8. Já ouvi falar dos livros e da série, mas fico com medo de criar expectativas sobre. Vou dar uma chance depois, achei o post super interessante e me ajudou a conhecer mais sobre a história.
    bjs!!

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  9. Oi, Bel!!
    Adorei a postagem!! Ainda não li nenhum dos livro da série. E também não assisti todos os episódios da série na Netflix, mas vou ainda tirar um tempo para terminar.
    Beijos

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  10. Oi Bel,
    O legal de se adaptar um livro é poder repensar alguns pontos que no livro não são abordados. No caso de Desventuras em série algo que me chamou atenção em sua resenha é a questão da diversidade, acho importante que tenham inserido personagens negros na trama. Não tenho muito o que falar pois minha única experiências com os orfãos Baudelaire foi através do filme de 2004 e gostei bastante. Ainda não sei se lerei os livros, mas quanto a série estou bem curiosa.

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