#Mês do Halloween: Frankenstein



Autora:
Mary Shelley
Título original: Frankenstein: or the modern Prometheus
Tradução: Bruno Gambarotto
Ilustrações: Ulysses Bôscolo
Editora: Hedra
Páginas: 270
Onde comprar: Martins Fontes | AmazonBR | Extra
Sinopse: Frankenstein, ou o Prometeu Moderno é uma das obras-primas da literatura moderna. Publicado em 1818 sem qualquer referência ao nome de sua autora, Mary Shelley, a narrativa em primeira pessoa das desventuras de Victor Frankenstein, efeito da vingança da “criatura” que o cientista abandonara tão logo trouxera à vida, causaria o espanto de seus primeiros leitores, atentos aos conteúdos políticos radicais da obra escrita no calor da derrota de Napoleão no continente, bem como das primeiras manifestações de operários na Inglaterra.
Esta nova tradução, elaborada com base na terceira e última edição de 1831, revista pela autora, recupera fielmente o brilho da prosa shelleyana, que o público brasileiro conhece amiúde apenas a partir de reduções e adaptações. A tradução é precedida de uma esclarecedora introdução e um apêndice não menos curioso: o prefácio de Mary Shelley à primeira edição e uma carta da escritora acompanhados de uma resenha e um poema assinados por Percy Shelley, seu companheiro. Além disso, este livro foi especialmente ilustrado com gravuras do artista Ulysses Bôscolo.

O mês macabro do LOHS coincidiu com minhas leituras para a faculdade, imagine uma pessoa feliz: eu. Frakenstein é um clássico no gênero de terror, e um marco para a história literária do século XIX. Para aqueles que não conhecem a história por trás da criação do livro, aqui vai um resuminho: Mary Shelley, esposa de Percy Shelley, amiga de Lorde Byron, entre outros (grandes nomes da literatura inglesa) passavam o inverno em uma casa de praia. Chuvas torrenciais castigavam a todos, por isso, Shelley propôs um desafio aos que estavam lá: escrever um conto de terror! Mary demorou muito para pensar em uma história e durante esse período ouvia conversas entre Percy e Shelley a respeito das origens da vida. Até que, após uma dessas conversas teórica-filosóficas, Mary teve uma visão. Ela contou a ideia a Byron, que insistiu que ela desenvolvesse o conto e escrevesse um romance que tal ideia merecia. Frankenstein é o resultado dessa pequena competição entre amigos.   
“Minha imaginação possuiu-me e guiou-me sem qualquer permissão, presenteando-me com as suas sucessivas imagens que surgiam em minha mente com uma vivacidade que ia muito além das costumeiras fronteiras do devaneio. Vi – com os olhos fechados, mas a visão mental aguda -, vi o estudante pálido de artes profanas ajoelhando-se diante da coisa que havia produzido. Vi a silhueta medonha de um homem deitado que, então, com o trabalho de alguma máquina poderosa, apresentava sinais de vida e se agitava em movimentos nervosos, apenas parcialmente vivos. Isto deve ser aterrorizante – pois supremamente aterrorizante deve ser o efeito de qualquer tentativa humana de caçoar do estupendo mecanismo do Criador do mundo. A realização bem-sucedida poderia aterrorizar o artista; assolado pelo horror, ele poderia fugir a seu odioso trabalho Ele também poderá esperar que, entregue à própria sorte, a menor fagulha de vida por ele concedida desaparecia; que essa coisa, animada que fosse com o impulso tão imperfeito, acabaria por retornar ao estado de matéria morta; e então ele descansaria na certeza de que o silêncio da cova extinguiria para sempre a existência transitória do terrível cadáver que havia pensado ser o berço da vida. Ele dorme; é acordado, porém; abre os olhos; e depara-se com a coisa à beira da cama, abrindo as cortinas, observando-o com olhos úmidos, amarelos e curiosos.” Prefácio, p. 30
Esse foi o relato de Mary para a segunda edição do livro que foi traduzido na íntegra e publicado pela Editora Hedra. Há também o prefácio da primeira Edição e alguns apêndices muito interessantes nas páginas finais. Lembro carinhosamente, que comprei esse volume no final de agosto e consegui pegar a época do 50% de desconto da Martins Fontes. Acredito, agora, que os descontos tenham ido para outro setor, porém - como você pode conferir nos links acima, a MF tem uma variedade muito interessante de edições. Espero que vocês possam escolher com sabedoria. Boa sorte! Bom, vamos à resenha?

O livro começa com uma troca de cartas entre um explorador, Robert Walton, e sua irmã, Margaret Saville. Ele explorava confins do mundo, logo há uma paixão pela aventura e pelo desconhecido em Walton, que ganha grandes proporções quando ele e sua tripulação avistam um homem vagando sozinhos pelas geleiras. No dia seguinte, encontram um corpo boiando e o ajudam a se recuperar. Esse homem puxado do mar perseguia o outro que vimos inicialmente. O naufrago estava perturbado. E tinha uma história para contar. Uma história que será reverenciosamente compilada por Walton. A partir daqui, o narrador se torna Victor.

Victor Frankenstein (sim, gente! Frankenstein é o nome do criador, não da Criatura - não vamos confundir!) era um jovem amado. Cresceu em uma família calorosa, de classe média, com todas as oportunidades que ser um homem naquela época permita e – quando criança – escolheu seguir seus estudos por linhas naturalistas não muito respeitadas ou válidas para a comunidade acadêmica da época. No entanto, quando finalmente chegou à Universidade, encontrou lá um professor que lhe falou a seus desejos mais profundos, que lhe poriam no caminho “para sua destruição” (p. 70).
“De onde, muitas vezes me perguntei, vinha o princípio da vida? Era uma questão ousada, desde sempre tomada como um mistério; mas quão poucas não seriam as coisas que descobriríamos, caso a covardia e o descaso nos obstassem a investigação.” Victor, p. 73
Ele então começa seus estudos e suas pesquisas. É adorado pelos professores, todos - até os mais reticentes - elogiavam sua dedicação e resultados. Até que o estudante decidiu dar vida a um ser inanimado. Ao decorrer de anos de estudo, ao negligenciar sua saúde e devotar todo seu emprenho àquele projeto, ele tem êxito. Ele deu vida à uma quimera, dotada de proporções absurdas e feiura indescritível (pois, acredito, ele juntou as partes para o corpo a partir de cadáveres, mas não tenho certeza. É só uma hipótese). Quando percebe o que fez, aquilo que criou, ele perde a cabeça e foge, deixando a criatura à própria sorte, com a esperança de que morresse e o mundo nunca precisasse descobrir a abominação a qual deu vida.

Obviamente, não é isso que acontece. Uma característica dessa obra que devo ressaltar é sua narração. Como um romance, ela está preocupada com o interior dos homens, o que a paisagem irá despertar nele, quais são seus sentimentos mais profundos, quais são seus anseios, medos e desejos. Ou seja, a narração é densa, há muitas descrições. Você espera ansiosamente por um acontecimento e ele não chega, quando acontece - o momento é muito rápido e o narrador logo em seguida volta para seu interior altamente perturbado.

No entanto, Victor é forçado a voltar para sua casa altamente debilitado. Graças aos cuidados de Elizabeth, sua "prima" e prometida esposa, consegue recobrar um pouco da sanidade. Porém, a morte de duas pessoas queridas lhe impede de seguir em frente, portanto ele parte em busca do Monstro. Esses são capítulos particularmente focados somente as falas da Criatura; não há descrições de nada a não ser aquilo que ela tem a dizer. E é uma história extremamente profunda. Repleta de questionamentos, de intrigas e julgamentos morais. Você percebe desde o 'nascimento' até o amadurecimento do monstro, aprendendo compaixão e ódio, a língua local e o como mentir. É fascinante como essa caricatura diz tanto a respeito de nossa sociedade, não é mesmo?

Após esse encontro, o Monstro exige algo de seu Criador, que - por sua vez - recusa veementemente atender a tal pedido. Uma companheira não é algo que ele esteja disposto a oferecer à Criatura. Frankenstein não poderia permitir a existência de dois demônios do mundo, eles poderiam extinguir a raça humana. Não, Victor não faria isso. Mas existe um preço. O Monstro jura vingança. E aí, nos encaminhamos ao final do livro, onde o Criador terá que proteger seus entes queridos da fúria de sua criação.

Alguns comentários que eu preciso fazer a respeito desse livro! Serão comentários jogados no ar para que vocês possam me dar um tipo de retorno.

O Monstro é muito mais inteligente que muita gente por aí! Não sei com quem concordo, quem defendo, porém não tiro a razão do Monstro de responder à violência que recebia com mais violência ainda. Frankenstein teve sua vida arruinada por seu próprio ego, talvez? A Criatura tinha razão em transformar a vida de seu Criador em um inferno? Por que Frankenstein não se matou? Seria por conta de sua família? Por que a Criatura não se matou? A "vida lhe era cara" mesmo depois de tudo o que sofreu?

Gente, é isso. Eu gostei bastante do livro. Muito! Fazia muito tempo em que não lia algo com essas características, longa e densa narração. Eu senti que me identifiquei com a forma pela qual conto histórias: gosto do contexto que leva ao clímax, gosto de mostrar todos os detalhes, de dar pistas ao longo dos primeiros capítulos para que o leitor (nesse caso, eu) possa ter um insight no clímax. É uma sensação única e que faz com que o livro suba no meu conceito.

Espero que vocês tenham gostado e indico a leitura para todos vocês. garanto que vocês não conseguirão largar o livro, pois - assim como eu - apesar da densidade, ficarão curiosos para descobrir o desfecho e o destino do Criador e de sua Criatura.
Beijos e boa tarde!



28 comentários :

  1. Oi, Izabela!
    Adorei a história por trás do livro. Achei super interessante.
    E pensar que nessa disputa foi a mulher que sambou na cara de todos eles, haha.
    Não sabia quase nada sobre a história, sobre o livro, e agora fiquei com vontade de ler.
    Sendo bem sincera, nunca me interessou muito, mas agora que soube a fundo estou querendo demais.

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com

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    1. Teca, com certeza foi a Shelley que ganhou essa disputa! De todos os contos produzidos lá, somente o dela ganhou as proporções que conhecemos hoje como romance.
      Fico muito feliz que você tenha gostado! Eu, assim como você, nunca tive um interesse muito forte em ir atrás e ler. Porém, depois dessa leitura, fiquei com vontade de assistir a algumas adaptações!

      Beijos

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  2. Acabei de perceber que nunca parei pra pensar realmente sobre o monstro de Frankenstein ,eu já conheço a história ,mas nunca me perguntei qual seria o final ,e nunca fui atrás do livro para descobrir .
    Confesso ,adoraria ler . Sua resenha está muito boa ,me deixou com muita vontade de ler.

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    1. Jéssica, que bom que você gostou da resenha! Esteja preparada para encarar essa aventura e depois divida comigo suas considerações o/

      Beijos ^^

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  3. Oi Izabela! Preciso dizer que sempre ouço falar de Frankenstein e de sua criação, o Monstro, mas conheço pouco do que realmente retrata sua história. Não sabia por exemplo que o Monstro quis destruir a vida de seu criador por não atender a um pedido seu. E qual seria o destino de cada um deles. Qual seria o verdadeiro fim dessa história.
    Fiquei curiosa para ler e saber mais sobre esse livro, e espero ter a oportunidade de ler essa obra em breve.
    Bjs!

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    1. Alessandra, espero que você possa mergulhar por essas páginas tbm!
      São muitos pontos que nos instigam a pensar: o que aconteceu com eles? por que o Monstro fez tudo o que fez? Por que o Frankenstein o rejeitou tão facilmente? coisas a serem pensadas..

      Beijos! volte sempre o/

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  4. Não conhecia esse livro, mas depois de ler sua resenha bem positiva em relação a história dele, fiquei curiosa, pois gosto de livros do gênero de terror e acredito que irei gostar de ler esse livro, parece ser uma história bem interessante e como não tenho muito conhecimento na história de Frankenstein acredito que será boa a leitura desse livro.

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    1. Mariele, tenho certeza que -com um pouco de paciência- você irá aproveitar muito a história de Frankie e seu Monstro (já me sinto íntima deles hahaha)

      Boa leitura!, beijos e volte sempre

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  5. O livro parece ser bem interessante, só tinha assistido o filme. E também com muitos conflitos, como o monstro querer uma companheira e querer se vingar. É uma leitura que nos leva a refletir sobre até onde vai a capacidade do ser humano de querer criar, achar que pode fazer qualquer coisa.

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    1. Maria, com certeza um dos questionamentos levantados pela autora é até onde vai o orgulho e a soberba do homem: será que um simples ser pode criar a vida? e se pode, quais serão as consequências? Irei assistir o filme em breve!

      Beijos, obrigada pela visita

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  6. parece muito bom, adoro livros de terror

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  7. Heey!
    Sempre tive vontade de ler Frankenstein, parece ser incrível ^^
    Pela sua resenha, creio que vou gostar bastante do livro ♥
    Abraços!!
    Blog - Desbravando o Infinito

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    1. Que bom, Guilherme. Fico muito feliz em saber disso.
      Eu gostei bastante do livro. Foi uma experiência de leitura bem diferente.

      Beijos!

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  8. ja´assistir alguns filmes que envolvem o franskestein como Van Helsing, mas nunca li o livro acredita? já como é mês do terror vou ler ele e Joyland em seguida.

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    1. Eu já assisti a Van Helsing, mas queria assistir alguma adaptação na qual o foco fosse o Monstro, sabe? Muitos dizem que todas as adaptações foram ruins, quero conferir com meus próprios olhos.
      Espero que você goste muito de ambas as leituras, Emanoelle.
      Beijos! e volte sempre

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  9. Nunca assisti nenhum filme apenas com o Frankenstein, contando a história dele e nem li esse livro, mas sei o resumo da história do Frankenstein. Sei que vou gostar muito, principalmente por ser um clássico do terror, gênero que amo! Preciso ler urgentemente esse livro e também Drácula, que é obrigatório para todo fã do gênero.

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    1. Maisanara, com certeza, Drácula é um must read, acredito, que para todos os leitores até!
      Eu também assistirei aos filmes, mas sem nenhuma expectativa quando fidelidade. Espero que você goste da leitura!

      Beijos. obrigada pela visita

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  10. Oi, Izabela! Tudo bem?

    Puxa! Resenha incrível e bem trabalhada. Gostei demais.
    Eu nunca tinha visto este livro e confesso... não gostei da capa, achei muito estranha... assustadora até... mas, a narrativa apresentada por ti nesta resenha, revelou ser um livro muito bom. Gostei! :0

    Beijos!
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    1. tudo sim, e com você, Daniel??

      Gente, agradeço muito! Fico extremamente feliz que você tenha gostado.
      Eu adorei essa capa! Mas já adianto, algumas das ilustrações interiores são bem mais assustadoras o/
      Espero que, caso a escolha, possa aproveitar a leitura!

      Beijos!

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  11. ontem mesmo eu tive que apresentar um trabalho sobre a autora ahaha
    e acabei ficando com muita vontade de ler esse livro, parece ser muito bom, e até mesmo a personalidade da autora me deu vontade de ler esse livro. ótima resenha.

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    1. Obrigada, Raquel!
      Espero que tenha ido bem no trabalho.

      Beijos o/

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  12. Li esse livro ano passado e gostei de mais, indico pra todo mundo! Muito boa a resenha.

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    1. Thiago, obrigada! fico feliz que tenha gostado da resenha o/

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  13. Olá!!
    Essa historia é mesmo muito boa, um dos clássicos do terror que mais gosto, fiquei impressionada com a historia de como surgiu a ideia do conto eu não sabia e achei muito legal . Sua resenha ta mesmo ótima, varias coisas não me lembro mais muito detalhes vou re-ler qualquer dia desses.
    Bjocas

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    1. Rose, espero que sua releitura seja tão gratificante quanto a primeira, apesar de ser quase impossível, não?

      Muito obrigada, fico feliz que tenha gostado da resenha!
      Espero vê-la de novo por aqui, até mais!

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  14. Realmente é um baita clássico, e essa edição está bem rica em conteúdo, fiquei tenso com a parada da visão hahahah e tbm confundia o criador com a criatura kk! Nunca li nada em relaçõ a frankenstein, na verdade só vi filmes, mas sei que de fato é bom, pretetendo ler algo em breve!

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    1. João, espero que você não tenha se esquecido desse livro! Os filmes são legais, mas saber a origem de tudo é mais interessante o/

      beijos

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