Estudos Sobre Magia - As Lendas de Yelena Zaltana #02

Autora: Maria V. Snyder
Título original: Magic Study
Tradução: Maurício Araripe
Série: The Study Series
Editora: Harlequin 
Páginas: 414
Onde encontrar: AmazonBr | Americanas | Harlequin | Saraiva | Submarino

Sinopse: Estudos sobre magia, segundo livro da trilogia 'As Lendas de Yelena Zaltana', dá continuidade às histórias que acontecem no reino criado em detalhes por Maria V. Snyder, cuja narrativa, entremeada por segredos e enigmas, valeu à autora a comparação com George R. R. Martin. Traição em família, um poderoso assassino serial à solta e a iminência de uma crise diplomática ameaçam a vida Yelena mais do que sua função de provadora de veneno. Os conflitos em Ixia a obrigam a voltar para Sitia, onde nasceu. Porém, o reencontro com seu clã torna-se insípido devido às acusações de que seria uma espiã. Ao ser levada para a Cidadela, local em que os magos passam ensinamentos místicos, Yelena começa a desenvolver sua magia. Logo descobre que seus poderes são maiores do que imaginava.


Então voltamos com Yelena! Espero que tenham lido o primeiro volume e estejam tão empolgadas e empolgados quanto eu com a continuação!

Bom, o primeiro volume acaba com um cliffhanger bem grande, não? Depois de Yelena e Valek conseguirem derrotar Kangom e Brazell, libertar o Comandante Ambrose de seu transe e, acima de tudo, sobreviver um ao outro — porque vamos combinar, não é nada fácil uma ex-prisioneira com poderes mágicos e um conselheiro assassino manterem um relacionamento simples —, ainda fica a grande dúvida: para onde ir, agora que sabem que Yelena é uma feiticeira e, portanto, possui pena de morte em Ixia?

Livros com mapa são outro nível, não é mesmo?

O destino certo é a ida à Sitia, o local onde nossa heroína nasceu e cresceu antes de ser sequestrada, por mais que não tenha memória alguma disso. Falando em memória, agora Yelena precisa fazer o seu melhor para enfrentar um novo desafio: conhecer sua família. Não apenas seus pais, ou até um irmão perdido, mas um clã inteiro, com tios, tias, avós, tio-avós e primos de todos os graus. Ela não se lembra de absolutamente nada do seu passado, mas todos estão desconfiados e têm algo a dizer sobre quem é e a que veio. Além da nova realidade, completamente diferente do regime com que se acostumara em Ixia, sua próxima tarefa é aprender a controlar sua magia e usá-la de acordo com o que os magos mais experientes, os Grandes Mestres, ensinarem, sendo Irys sua nova amiga e tutora pessoal.

Claro, como nada parece ser fácil, um novo perigo toma forma: jovens estão sendo sequestradas e mortas, sem haver sinal de quem está fazendo isso ou o porquê. O instinto de Yelena a faz querer ir mais a fundo e descobrir como deter essa pessoa, enquanto lida com uma família complicada e com a extensão desconhecida de seus poderes — e mais os ocasionais rumores sobre sua vida que escuta nos corredores da Fortaleza dos Magos.


Novamente, a narrativa é intensa; com muito mais informações do que havia no primeiro livro, agora pode-se entender a magia da personagem, sua origem e várias questões que não tinham resposta, inclusive sobre a história do mundo em que a narração se passa. Yelena conhece o outro lado da fronteira: acostumada com uma política de regime duro, mas em que cada uma das necessidades pessoais da população era atendida, ela se depara com governantes mais liberais, porém com um mundo de base capitalista. Em determinado momento, a personagem se encontra com várias crianças, pedintes, que a abordam. Desconhecendo sua situação, ela entrega dinheiro e acaba fazendo amizade com os pequenos, especialmente com um chamado Fisk.

— Espere. Qual é o seu nome?
Ele hesitou, depois abaixou o olhar para o chão.
— Fisk — murmurou.
Ajoelhei-me. Fitando-o nos olhos, estendi a mão.
— É um prazer, Fisk. Sou Yelena.
Ele apertou minha mão com as suas duas, boquiaberto de admiração.
P. 165

Gosto bastante do modo como Yelena não segue convenções sociais que não fazem sentido para ela; mantendo-se fiel ao que acredita ser correto, ela se mostra mais madura do que muitos dos outros personagens, tendo esse diferencial lhe ajudando em sua jornada. Prova disso é o conhecimento que encontra em Fisk sobre a cultura e história de Sitia, sendo então guia e ajudante de Yelena enquanto conhece a Cidadela. Há uma passagem em que ela se depara com um chafariz e faz perguntas ao garoto sobre as formas e linhas da obra:

— Criaturas míticas. Cada uma representa um Mestre Feiticeiro. Ying Lung, um dragão dos céus para a Primeira Feiticeira; Fei Lian, um leopardo dos ventos, para o Segundo; Kioh Twan, um unicórnio, para a Terceira; e Pyong, um gavião, para a Quarta.
P. 167

Essa questão da história do país, apesar de soar um tanto enfadonha a princípio, é uma das características que aguçam a curiosidade para a leitura: quem são esses feiticeiros?, por que são chamados assim?, como funcionam as coisas aqui?, e tantas outras questões que o livro trata de responder à medida que a narração se acostuma com o novo foco da história.

Não pensem, no entanto, que cada "adeus" dito no primeiro livro é definitivo. Sempre é possível contar com a volta de Ari, Janco, do Comandante (às vezes como a Comandante) e até de Mareen. E os encontros continuam tão divertidos como sempre foram.

— E quanto a "Sítios Vencidos, batalhas lado a lado, amigos para sempre"? Será que isso muda se eu me tornar uma sulista oficial?
Janco pensativamente coçou o queixo.
— Não — Ari respondeu. — Você poderia se transformar em uma cabra que isso ainda valeria.
— Só se ela fizesse um pouco de queijo de cabra para nós — Janco afirmou.
P. 307

E sim, Valek também dá seu jeito de aparecer, e nem sempre ele é óbvio. ~plantando a curiosidade~

Um fator que me faz gostar tanto do livro é o equilíbrio entre o humor e a seriedade. Yelena enfrenta sérios perigos, mas sempre é possível rir de alguma passagem (geralmente as com Ari e Janco, é verdade). Um dos temas tratados é a questão do estupro: Yelena sabe muito bem como é o sentimento de ter isso na memória, de enfrentar os medos do passado e ser julgada por algo que não é culpa dela.

— Irys me disse que eu estava amuada, mas eu não conseguia suportar a ideia de alguém sequer olhar para mim.
P. 171   

Os temas abordados, por mais que seja uma fantasia, ainda são muito plausíveis e aplicáveis à realidade: o conflito óbvio existente entre uma Ixia socialista e ditatorial e uma Sitia liberal e capitalista, porém desigual; a empatia da heroína com as outras garotas sequestradas, quando se coloca no lugar delas e se mantém firme para ajuda-las; conflitos familiares e até onde laços de sangue determinam caráter. Tudo isso eu encontrei nesse volume, e espero que também possam encontrar mais do que apenas uma história.

Em resumo: todos sabemos que o segundo livro de uma trilogia costuma ser o mais chato, não é mesmo? Em comparação com o primeiro e com o terceiro, talvez Estudos Sobre Magia seja mesmo o mais difícil de levar até o fim, mas nem por isso ele deixa de ser bom como os outros. Acredito que seja o melhor livro de transição que já li, e espero que gostem tanto — ou até mais do que eu, se for possível!

Portanto, leiam também — estamos chegando mais perto do último volume!




Resenha por Bel Brito

10 comentários :

  1. O livro parece ser muito bom ! amei a magia envolvida em todo enredo e as situações em que os personagens ''se metem''' e mistérios que são adquiridos no meio de tudo, bom que as dúvidas foram esclarecidas nesse livro, gosto de ser bem informada sobre o personagem para que a leitura flua, ou eu fico cada vez mais perdida naquele universo srsr espero ler em breve, aumentou muito minha curiosidade !
    - Também amo livros com mapas, tornam a diagramação fantástica

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  2. eu ainda não li o primeiro livro, mas eu quero muito ler essa série. é bem o tipo de livro que eu amo, muita fantasia e muita ação
    adorei saber q o segundo livro vai esclarecendo as coisas
    eu adorei os mapas! eles dão uma outra vida para o livro,né?
    agora bem q a resenha podia ter uns alertas de spoiler

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  3. Olá, Bel!

    Gostei bastante da sua resenha. Apesar dessa ser uma das minhas trilogias favoritas, nunca tinha lido nenhuma resenha sobre ela. E foi bom agora, porque matei a saudade.
    Achei a Yelena uma protagonista forte, sem mimimi. Que vai se descobrindo enquanto pessoa, mulher, feiticeira, amante. Acho linda a relação entre ela e Valek, a forma como a ligação entre eles ultrapassa o comum, a força que ela proporciona aos dois. Este segundo livro é mesmo muito bom, principalmente por conta da tensão e reviravoltas, e pelas possibilidades de aventuras que surgem na jornada da protagonista. Amei amei.

    Quero ler a resenha do próximo! O livro, pra mim, encerrou a história com chave de ouro.

    Beijo

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  4. Ainda não tive a oportunidade de ler o primeiro livro, mas fiquei realmente interessada em conhecer esta história. Adoro principalmente os Cliffhangers, e sabendo que já tem continuação me sinto mais tranquila em lê-lo, porque sou daquelas que ficam loucas esperando as continuações kkkk
    Adoro livros de fantasias e aventuras, e acho que também irei gostar dessa histõria :)

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  5. Não li o primeiro, mas a historia parece ser interessante, gosto de historias com magias. Parece que envolve um mistério que também gosto nas historias, em relação a morte das jovens. O livro aborda muitos temos que fazem arte das nossas rotinas, isso é muito bom, assim nos leva a refletir sobre esses assuntos.

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  6. Ainda não tive a oportunidade de ler o primeiro livro, apesar de ter ficado bem entusiasmada. Esse segundo livro parece ser muito bom também e realmente quero muito iniciar essa trilogia. Achei bem interessante o fato de Estudos Sobre Magia manter um equilíbrio entre o humor e a seriedade. Estou com altas expectativas.

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  7. Oi, Bel!
    Eu fiquei super curiosa para ler esses livros, mas não consegui achar o primeiro para comprar ainda.
    Mas isso não significa que eu desisti!
    Gosto muito dos livros que misturam a seriedade com o humor e eu imagino que essa narrativa seja bem intensa mesmo.
    Fiquei super curiosa com a primeira resenha e de novo com a segunda.
    Sabe que nem sempre eu acho o segundo livro o pior da trilogia? Em Chamas, de Jogos Vorazes, e Insurgente, de Convergente, foram meus preferidos da série.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  8. Interessante...eu não conhecia a série e não me lembro da primeira resenha, vou até ver. Curti e vou ler.

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  9. Oi Bel!
    Sou suspeita pra falar sobre esse livro pois é meu gênero favorito de todos! O que eu posso dizer? A trilogia é maravilhosa! Os livros são perfeitos, os personagens são cativantes e bem desenvolvidos. Mas fiquei muito desapontada com a editora por só lançar o terceiro livro em e-book :/
    Parece que a autora lançou outra saga que é a de Opal. Acredito que seja tão boa quanto essa. Vou procurar mais a respeito e ver se consigo achar os e-books.
    Gostei muito desse segundo livro. foi tanta tensão e reviravoltas que fiquei quase sem ar. Yelena continua me surpreendendo com sua força. Recomendo!
    Abraço!

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  10. Eu sempre vejo alguém comentando sobre essa trilogia, o problema é o preço dos livros físicos.
    Trazer uma personagem tão forte, que enfrenta inúmeros perigos para ajudar os outros, vê as diferenças entre um sistema ditatorial e um mais liberal, as desigualdades, a violência, tendo algumas passagem de humor e fantasia seria um grande risco, mesmo que seja um livro de transição trás algumas respostas e não chega a ser tão parado quanto a maioria é.
    Mapas nos ajudam a situar melhor os acontecimentos, são livros que tenho muita curiosidade, parabéns pela resenha.

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