#II Mês do Halloween: A Outra Casa - Spilling #06

Autora: Sophie Hannah
Título original: Lasting Damage
Tradução: Alexandre Martins
Série: Spilling
Editora: Rocco
Páginas: 464
Onde encontrar: AmazonBR | Rocco | Saraiva | Submarino

| Livro cedido em parceria com Editora Rocco |

Sinopse: Autora de A vítima perfeita, lançado pela Rocco na FLIP 2015, e escolhida pelos herdeiros de Agatha Christie para dar vida nova ao célebre detetive Hercule Poirot, a inglesa Sophie Hannah constrói, em A outra casa, uma trama sofisticada em que o suspense é apenas um dos elementos da narrativa. Na história, os detetives Simon Waterhouse e Charlie Zailer são obrigados a interromper sua lua de mel para atuar num caso sombrio envolvendo o casal Connie e Kit Bokskill e um corpo de mulher revelado em circunstâncias inusitadas, quando Connie resolve pesquisar casas à venda num site imobiliário na internet. Com doses equivalentes de humor, aventura e mistério, Sophie Hannah entretém o leitor e, ao mesmo tempo, o convida a uma instigante reflexão sobre relacionamentos familiares, profissionais e amorosos.
 Você deve estar se perguntando por que eu li o sexto livro de uma série, sendo que nem resenhei os outros cinco para vocês. Bom, no Brasil, a Rocco só lançou dois de dez livros, o segundo volume A vítima perfeita e o sexto, A outra casa. A série trata do detetive excêntrico Simon Waterhouse e sua parceira Charlie Zaltier. Senti que algo não estava certo, pois parecia que os personagens tinham um passado do qual eu não estava informada, então cheguei à página 80 e fui pesquisar.


Descobri que Sophie Hannah é uma das mais estimadas autoras de thriller da atualidade. Ela foi escolhida pelos herdeiros de Agatha Christie para ressuscitar o detetive Hercule Poirot (quem a Carol já apresentou para vocês em Assassinato do Expresso do Oriente), em Os crimes de monograma, lançado pela editora Nova Fronteira. Li a sinopse de cada livro e vi que a protagonista do primeiro faz aparições no sexto e que o romance de Simon e Charlie é enrolado desde lá. Neste, eles estão casados e em lua de mel, no entanto, com os mesmos problemas de contato físico que antes; não me pergunte qual antes, porque eu também não sei. No entanto, posso contar a você porque continuei lendo-o, mesmo assim.

Sábado, 24 de julho de 2010
“Eu vou ser morta por causa da família chamada Gilpatrick.” Connie, p. 9


Por causa dessa simples frase, a primeira do livro. Os Bokskill estão presos em um quarto esperando para serem mortos. Na página seguinte, o livro volta uma semana e eu não consegui parar de ler desde então. A narrativa possui três focos principais; o primeiro deles é a narração de Connie; a segunda é a de Charlie e Simon em lua de mel, ela com medo de que alguém interrompa a estadia no paraíso dos dois e ele com a cabeça em qualquer lugar, exceto no fato de que é recém-casado; a terceira é a de Gibbs e Olívia, as duas testemunhas escolhidas a dedo para o casamento mais discreto do século, esses dois são casados e terminam a noite no mesmo quarto de hotel.

Como tudo começa? Com Connie esperando ansiosamente para que Kit, seu marido, caia no sono e ela possa stalkear uma casa num site de um imobiliária. A casa? Bentley Grove, 11. Nós sentimos que ela está agoniada por conta disso. E não sabemos o por quê. Ela está cansada, sem dormir e estressada, escolheu acompanhar o passeio virtual. Connie fecha os olhos por um segundo, quando os abre vê o corpo de uma mulher sobre um carpete beje, completamente ensanguentado. Ela acorda Kit por conta de seu horror; ele não acredita nela, e quando ela diz que está tudo no computador, ele fica sozinho na sala, a tensão cresce, o quadro terrível virá logo depois da imagem da cozinha. Então o impossível acontece: Kit não vê nenhuma mulher ensanguentada, só o carpete normal.

Connie fica inconformada com tudo isso e se recusa a acreditar que imaginou a mulher ou o terror que sentiu. É com essa enorme questão: descobrir o que aconteceu com a mulher que toda a trama se move. O ponto positivo do livro é a crescente tensão sob a qual o leitor é colocado. Os dias passam, porém cada um deles é recheado com as três narrativas dos núcleos que comentei anteriormente. Além do aumento da ansiedade, nossas informações também seguem o mesmo caminho. A cada depoimento à polícia, descobrimos mais cosias a respeito de Bentley Grove, 11, Connie e Kit.

“- A grande probabilidade é que você estivesse cansada e tenha tido algum tipo de... alucinação passageira. Como você definiu antes? Uma peça de percepção. Mas ao mesmo tempo, não quer descartar o que me cotou, porque... Porque você ligou para Simon Waterhouse, não para mim. Era Simon quem você queria. Não posso me transformar nele, mas posso fazer a segunda coisa melhor, fazer o que ele faria: leva-la a sério.
- Obrigada.
- Não agradeça a mim; sou apenas o substituto. Pode agradecer a Simon quando encontra-lo novamente.” Sam e Connie, p. 58

O que resume esse livro é: “Se você diz a verdade e a pessoa que mais lhe importa não acredita, o que deve fazer a seguir?” Charlie, p. 114 Eu não tenho muito o que ficar discutindo com vocês. Se eu contar apenas algumas informações sobre o desenrolar dos acontecimentos, metade da graça do thriller é perdida. Em vários momentos, eu tive de escrever meus usuais comentários à borda da folha, grifar passagens e... agora estou abrindo meu coração inteiramente para vocês: eu li algumas páginas finais, enquanto estava no começo do livro, porque eu simplesmente não consegui lidar com o mistério. 

Dois pontos dos quais não gostei: a família de Connie e o relacionamento inútil entre Olivia, irmã de Connie, e Gibbs, colega de trabalho de Simon. A família de Connie é uma caricatura cruel de uma sociedade que ainda corrobora com dúvidas e dependência familiar. Connie sofre muito estresse por conta dessa pressão e esse é um dos fatores que não fazem dela uma testemunha objetiva de qualquer que tenha sido o que todos acham que ela imaginou. 
“Ele me diz que eu deveria ser grata pela minha família e contente por morar tão perto dela, e depois debocha dela impiedosamente na minha frente e evita vê-la sempre que pode, me mandando para cá sozinha. Eu nunca reclamo, sinto-me culpada por envolve-lo. Eu odiaria me casar com alguém que tivesse uma família tão sufocante quando a minha.” Connie, p. 87
O mistério cresce e a trama traz muitas pistas e cliffhangers que prenderão o leitor até a última página, onde todas as respostas e a primeira frase da primeira página fará sentido. Por que é tudo isso que buscamos, certo?, algumas repostas...

“- Você diz que Kit está tentando fazer com que você duvide de sua própria sanidade. Por que faria isso?” Alice, p. 283









Sessão das Quotes

“- Sobe comigo – disse Gibbs.
- Subir?
- Para o meu quarto. Ou o seu.
- Por quê? –retrucou Olivia.
- O que você acha?”, p. 39

“Minha mente tirou mais alguma coisa daquela sala, algo que não devolveu.
[...]
Produzimos raiva para dar a nós mesmos a ilusão de poder quando nos sentimos fracos e desamparados.” Connie, p. 51

 “O que eu fiz a ele? As alternativas são horríveis demais para considerar: ou ele é o homem gentil, divertido, leal e honrado por quem me apaixonei, e que estou lenta, mas seguramente, destruindo, ou é um estranho que tem usado um disfarce por meses, talvez anos – um estranho que acabará me destruindo.” Connie, p. 57

“Tenho certeza disso, mas não posso provar. Não posso provar muitas coisas no momento.” Connie, p. 94

“A ideia de que havia fêmeas no mundo com quem ele nunca poderia ter sexo era o ressentimento que movia Sellers.” Gibbs, p. 108

“Que Fran fique tão confusa quanto eu; que seja arrastada para o pesadelo que não tem fim. Fico pensando se ela pode ouvir o prazer sádico em minha voz quando me preocupo em não poupá-la de um único detalhe.” Connie, p. 195

“- Perda de memória por estresse pós-traumático é um instrumento ficcional útil, mas nunca me deparei com isso na vida real. Embora tenha encontrado um bom número de pilantras fingindo sofrer disso.” Ian Grintt, p. 221

“Pelo o que eu sei, só há quatro pessoas no meu pesadelo: eu, Kit, Selina Gane e a mulher morta.” Connie, p. 224

“Ele está certo. Vejo Grint registrar a expressão de derrota em meu rosto. Ele deve achar que quero que meu marido seja culpado de invasão de computador, ou bigamia.
Ou assassinato.
O que eu quero – tudo o que eu quero – é entender. Saber.” Connie, p. 227

“Qual é o sentido? Qual é o sentido de Kit e eu dizermos coisas um ao outro quando nenhum de nós é confiável?” Connie, p. 233

“- Então você dirá a elas o que me disse noite passada: que você nunca mais quer ver a cara daquela vagabunda gorda traiçoeira.
- Eu disse isso?
- Eu fiquei convencido. Não imagino ninguém duvidando de você.” Simon e Charlie, p. 249

“A culpa fica tediosa depois de um tempo; você acaba decidindo que devia ser culpa de outra pessoa, não sua.” Connie, p. 280

“- Nenhum filho deveria jamais romper com os pais, não sem uma razão incontestável.” Simon, p. 325

9 comentários :

  1. Oii Izabela! Faz tempo q não leio uma boa história assim...Eu adorei esse suspense, preciso conferir urgente, me agradou mto!
    Bjs!

    ResponderExcluir
  2. Adoro thrillers não conhecia esse que pena que a editora não publicou todos parece ser muito bom. Parece ser uma historia bem misteriosa com essa mulher morta sem a personagem saber quem ela é, acho que quanto mais lemos mais vamos querer ler para desvendar o que aconteceu já fiquei curiosa em saber e imaginando muitas coisas que poderiam ter acontecido com ela rs.

    ResponderExcluir
  3. Oi, Iza!
    Eu já disse isso várias vezes aqui no Mês do Halloween de vocês, mas estou adorando o foco em livros de suspense, não só terrorzão mesmo.
    Não conhecia esse livro e me interessei, porque thrillers policiais são um dos meus gêneros preferidos.
    Isso de ler fora de ordem é tipo os livros do Harlan Coben. A Arqueiro lançou fora de ordem e eu sabia que os personagens tinham um passado que eu não sabia, mas fui me inteirando com o passar dos livros, mesmo que às vezes precise parar para pensar "peraí, isso foi antes ou depois daquilo?"

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

    ResponderExcluir
  4. Olá Izabela, tudo bem?

    Esse é mais um livro que fico conhecendo aqui, gostei demais da premissa e com certeza vai para a minha lista de desejados....ótima resenha.....bjs.


    devoradordeletras.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
  5. Comecei a seguir o blog agora e já estou adorando, talvez por ter pegado o mês do Halloween, e a temática é a minha favorita, mas as resenhas são maravilhosas, tenho que parar de colocar esses livros na minha lista, não tenho dinheiro kk.

    ResponderExcluir
  6. Oi, Iza!!
    Gostei de conhecer um pouco do livro A outra casa, ainda não tinha conhecimento do fato que essa autora foi escolhida para continuar a história do célebre detetive Hercule Poirot. Bom gostei muito da indicação.
    Beijoss

    ResponderExcluir
  7. Amei essa resenha, não conhecia a autora, mas gostei de cara, e com certeza vou pesquisar e comprar livros da autora.

    ResponderExcluir
  8. A vantagem de não ler os livros na ordem de lançamento é que nem sempre eles precisam ser lidos na sequência.
    Fiquei interessado nesse e não conhecia a autora.
    Agora é torcer para a Rocco publicar os demais livros.

    http://www.revelandosentimentos.com.br/

    ResponderExcluir
  9. Ainda não conhecia a autora, nem tinha ouvido falar do livro. Achei a história um pouco confusa demais... Mas como vc classificou como muito bom, acho que vale a pena dar uma chance!

    ResponderExcluir

Obrigada por fazer quatro blogueiras felizes, seu comentário e sua opinião são muito importante pra nós! Todas as visitas e comentários serão retribuídos.

(Comentários contendo ofensas e palavras de baixo calão não serão aceitos).

Seguidores

No Instagram @bloglohs

Vem pro Facebook