Imperfeitos #01

Autora: Cecelia Ahern
Título original: Flawed
Tradução: Paulo Polzonoff Junior
Série: Imperfeitos
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
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| Livro cedido em parceria pelo Grupo Editorial Novo Conceito |


Sinopse: Celestine North vive em uma sociedade que rejeita a imperfeição. Todos aqueles que praticam algum ato julgado como errado são marcados para sempre, rechaçados da comunidade, seres não merecedores de compaixão.
Por isso, Celestine procura viver uma vida perfeita. Ela é um exemplo de filha e de irmã, é uma aluna excepcional, bem quista por todos do colégio, além do mais, ela namora Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan.
Em meio a essa vida perfeita, Celestine se encontra em uma situação incomum, que a faz tomar uma decisão instintiva. Ela faz uma escolha que pode mudar o futuro dela e das pessoas a seu redor.
Ela pode ser presa? Ela pode ser marcada? Ela poderá se tornar, do dia para a noite Imperfeita?
Nesta distopia deslumbrante, a autora best-seller Cecelia Ahern retrata uma sociedade em que a perfeição é primordial e quem cometer qualquer ato falho será punido. A história de uma jovem que decide tomar uma posição que poderá custar-lhe tudo.

Cecelia Ahern é uma autora polêmica para mim. Isso porque tenho amigos que amam completamente e outros que a odeiam com todas as suas forças. Até então eu nunca havia lido nenhum de seus livros e por isso vim tirar a prova com Imperfeitos, o primeiro livro dos gêneros Young Adult e Distopia da autora.

Cecelia Ahern
A protagonista da história é a jovem Celestine North, uma mestiça filha de pai negro e mãe branca. Ela tem dois irmãos, Juniper e Ewan, e uma vida perfeita. Celestine é linda, popular na escola, sempre rodeada de amigos e com boas notas, além de namorar o divertido Art Crevan, filho da autoridade máxima da cidade, o juiz Crevan.

E Celestine, assim como toda a sua família, tem que ser perfeita. Isso porque na sociedade em que ela vive ser perfeito é lei. Uma pessoa acusada de cometer uma imperfeição é julgada por juízes, como o juiz Crevan, e - se for considerada imperfeito - esse indivíduo é marcado à ferro e fogo na pele e, a partir de então, hostilizado pela sociedade. Além disso, um imperfeito é obrigado a seguir regras opressoras pelo resto da vida, como: sentar apenas nas poltronas dos imperfeitos no ônibus (mesmo que haja lugares livres no resto do transporte), não ficar próximo de outros imperfeitos no mesmo local, se alimentar de rações específicas e apenas um doce por semana (nada de álcool é permitido também), se ficar doente só é permitido ir ao hospital dos imperfeitos, entre outras.

Celestine é uma menina muito inteligente e racional, seus planos futuros são estudar matemática e criar uma família com Art, seu namorado apaixonado. Até então, ela sempre considerou que as leis contra a imperfeição eram algo necessário para o bem da sociedade. Afinal, os imperfeitos são pessoas que cometem crimes que não são considerados crimes, como mentir, trair e enganar. Por isso, a sociedade deveria saber quem eles são. 

Aquilo que você viu, está visto. Aquilo que você ouviu nunca mais poderá não ter sido ouvido. Eu sei, lá no fundo, que esta noite aprendi algo que não pode ser desaprendido. E esta parte do meu mundo que foi alterada nunca mais será a mesma.
Celestine, p. 20

Só que sua mente começa a se questionar sobre o sistema dos imperfeitos a partir do momento que sua vizinha Angelina, mãe de três filhos e professora de piano de Celestine, é levada pela justiça sob a acusação de ser imperfeita. Angelina está sendo acusada porque levou a mãe doente para outro país a fim de realizar a eutanásia, um crime contra a vida. Obviamente, Celestine mantém seus questionamentos para si mesma já que não quer ser considerada uma imperfeita.

Diferente de Celestine, sua irmã Juniper odeia o sistema dos imperfeitos e tem como prioridade sair do país assim que se formar. Juniper sempre argumenta sobre àqueles que são levados presos e as reais intenções de determinado julgamento. Os pais de ambas as garotas explicam para os filhos que devem ter cuidado com o que dizem, pois podem acabar sendo acusadas de imperfeitas - uma vida que não é desejada por ninguém.

Assentos para pessoas negras nos ônibus americanos durante a segregação racial

A vida de Celestine muda drasticamente um dia no ônibus, quando está junto da irmã e do namorado, e um velhinho entra no transporte. À primeira vista, a garota achou que era seu querido avô - que hoje vive em uma cidade distante por desrespeitar o juiz Craven - e quase o cumprimentou. Mas ela logo percebeu que ele tinha uma marcação de imperfeito e se calou. Só que ela não conseguia parar de encarar o velhinho que estava passando mal em pé, enquanto duas mulheres (que não eram consideradas imperfeitas) ocupavam os assentos dos imperfeitos. 

Sua irmã Juniper também olhava a cena, mas nada fazia, e Art tentou segurar Celestine no lugar, mas ela ficou extremamente desconfortável com a situação. Até que Celestine não conseguiu ficar parada, se levantando do lugar e pedindo para uma das mulheres se sentar em outro lugar e deixar o velhinho se sentar no assento dele.

E esse foi o erro de Celestine. Não demorou muito para homens da justiça a levarem presa para ser julgada imperfeita pelo fato de ter ajudado um imperfeito. Celestine não entende o que ela fez de errado, se tudo era muito lógico. Duas mulheres que não eram imperfeitas ocupavam os assentos dos imperfeitos, logo o velhinho não tinha onde sentar. Se uma delas se levantasse e o velhinho pudesse sentar, provavelmente não teria passado tão mal.

Mulher marcada à ferro na vida real
Só que agora o juiz Craven, o mais temido de todos, irá julgá-la e decidir se é imperfeita ou não. Algo que pode mudar sua vida completamente. E os planos de Celestine de ter uma vida tranquila logo são arruinados quando a jornalista Pia começa a investigar toda a sua vida para apresentar ao público. 

Ao ficar presa em uma cela, sendo odiada e julgada pela mídia e pela sociedade, o alívio de Celestine é observar o garoto da cela ao lado da sua, Carrick. Um rapaz que provavelmente tem a mesma idade que a sua e também está lutando pela vida dele.

O advogado e os pais de Celestine a ajudam a passar pelo processo e descobrem uma saída para a garota não ser considerada imperfeita: mentir. Mas, pela lógica de Celestine, se mentir ela será de fato uma imperfeita. Então, para ser considerada perfeita, ela terá que se transformar em uma imperfeita? Ou será que ela seguirá sua lógica e correrá o risco de ser marcada para o resto da vida?

Não entrarei em mais detalhes sobre a história para não liberar spoilers, mas achei interessante tudo o que aconteceu depois da decisão de Celestine. Quero dividir aqui, porém, que há um momento em que Celestine recebe algo que poderá destruir tanto Craven quanto o sistema dos imperfeitos e eu percebi na hora o que era (acredito que todos vão perceber também), mas o livro termina sem detalhar isso. Provavelmente para deixar o assunto em aberto para o próximo volume. 

No geral, Imperfeitos foi uma boa história. Cecelia Ahern conseguiu prender minha atenção durante toda a narrativa por sua forma de escrita. Ela não apresenta apenas o problema de Celestine, mas também um contexto de como os imperfeitos vivem. Nos são apresentadas inúmeras cenas discriminatórias e até violentas contra os “imperfeitos”, que me lembraram do que aprendi sobre a segregação racial no EUA - com tudo separado para brancos e negros, só que nesse caso, para perfeitos e imperfeitos. Chega a dar raiva das pessoas destratando outros por terem uma marca queimada na pele.

O maior ponto negativo desse livro, na minha opinião, foi como funciona o sistema dos imperfeitos. Isso porque são marcados como imperfeitos apenas pessoas que cometem um crime social, como mentir e enganar. Agora, os criminosos de verdade, que roubam e matam, não são marcados. Mas, racionalmente falando, se você comete um crime é considerado imperfeito, então por que não é marcado também?! Enfim, essa questão foi algo que me incomodou desde o início da leitura e continua me aterrorizando até agora. 

Fora isso, eu gostei da forma como foi apresentada essa distopia e como os personagens foram desenvolvidos. Acredito que a força de Cecelia Ahern está em seus personagens e em como ela os desenvolve ao longo das narrativas. 

Aparentemente, Imperfeitos será uma trilogia e o segundo livro, Perfect (Perfeito, em tradução livre), será lançado no exterior no próximo mês (abril)! Então, acredito que não demorará muito para a continuação chegar ao Brasil. O terceiro livro ainda não tem previsão de lançamento. 

Mas fica aqui a dica para todos que adoram a escritora ou o gênero de Distopia. ;)





14 comentários :

  1. Amo os livros da Cecelia ❤❤❤ e Ainda não li esse mas já está na minha lista,se eu já estava curiosa em relacao ao primeiro livro Dela YA (e distópico) lendo essa resenha agora fiquei com mais vontade ainda,espero ler em breve,ótima sua resenha,beijos!

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  2. Oi, Carolina!
    Meio que concordo com o que você falou sobre a Cecelia ser um assunto meio polêmico, porque, realmente, enquanto vejo muitas pessoas gostando de seus livros, eu mesma não gostei nada da experiência que foi O Livro do Amanhã, uma total decepção. Esse livro novo, no entanto, me despertou o interesse por ser mais young adult e distópico, e parecer fugir um pouco mais do estilo mais detalhista e dramático demais do que li, por isso vou dar uma chance à ele, principalmente depois da sua resenha agora. Muito interessante essa pegada mais social do livro, entre perfeitos e imperfeitos, e sobre o que você falou sobre a marcação de imperfeição apenas em quem comete crime social e não roubos ou mortes propriamente ditas, penso que isso pode ser um detalhe proposital que pode influenciar, de repente, nos próximos volumes e vir a suscitar revelações ou reviravoltas surpresas, o que acha? De qualquer forma, ressalva interessante a sua, e parabéns pela resenha como um todo, gostei muito e espero gostar do livro também quando ler!
    Beijos!

    ♥ Sâmmy ♥
    ♥ SammySacional.blogspot.com.br ♥
    ♥ DandoUmadeEscritora.blogspot.com.br ♥

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  3. Oi Carolina, eu só tentei ler uma livro da Cecilia até hoje e não consegui terminar, pois não me adaptei a escrita em formas de carta, mas desde então tenho pensado em tentar ler outros livro dela, pois não posso dizer se gosto ou não com apenas uma experiência, e tenho ficado interessada nessa história desde o seu lançamento. A ideia parece ser muito boa e é inevitável não se comparar com o que sabemos sobre a segregação entre negros e brancos que você citou, também achei estranho o fato de nem todos os crimes caracterizarem as pessoas como imperfeitas, mas no geral a história parece ser boa e anotei a dica ;)

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  4. Olá!!
    Resenha mto boa, parabéns!
    Qria mto ler, adoro o gênero e o enredo tá mto bom!
    Ainda não conheço a escrita da autora, tenho mta curiosidade em ler...
    Bjs

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  5. Ainda não li nenhum livro da autora e achei esse diferente e interessante, deve ser uma historia triste, pois as pessoas que não cometem crimes graves são marcadas e as que cometem não são achei estranho isso e fiquei me perguntando se tem alguma explicação para isso.

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  6. Carol, eu adoro a Cecelia Ahern!
    Mas ainda não li essa distopia dela, só romances.
    E os romances moram no meu coração <3
    Fiquei interessada com o enredo e você sempre acerta o final ou a reviravolta, hahaha. Não me surpreende.
    :P
    Crimes pequenos são imperfeitos e crimes grandes não? Eu também me incomodaria um pouco...

    Beijooos

    www.casosacasoselivros.com
    www.livrosdateca.com

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  7. Oi Carol!
    Eu tbm nunca li nada da Cecelia, e já vi os mesmos comentários que você, negativos e positivos e muito variáveis. Esse também está na minha listinha, na verdade era pra ter entrado na meta desse mês de março e não consegui, mas foi bom conferir uma resenha antes, acho que agora sei mais o que esperar da trama e acho que vou gostar!
    Eu estava certa que era livro único, agora que sei que é trilogia dei uma desanimada HAHAH sabe como é, lista infinita de séries pra acabar e eu não gosto de ficar sem finalizar.

    Beijos

    http://www.paradisebooks.com.br/

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  8. Oi Carolina,
    Cecelia Ahern é uma autora que ouço muito falar por causa de seus romances, muitas vezes, bastante clichês. Ver ela lançando um livro que foge do gênero que estamos acostumados ver a autora trabalhar pode ser interessante. Eu adoro distopias, mas tenho receio de que Imperfeitos seja mais do mesmo. Mas analisando a história tem algumas coisas bem interessantes, como o fato Celestine ter um pai negro e aí podemos ter um pouco mais de representatividade, afinal de contas não é sempre que temos protagonistas negros. A ideia de uma sociedade perfeita que faz uma bela crítica (do meu ponto de vista) do quanto a humanidade tem se tornado superficial. Consigo perceber que a autora tentou inovar o gênero literário trazendo alguns elementos que, bem explorados, podem render uma boa história.

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  9. Gostei da historia, o que me fez gostar foi por causa que podemos tirar algo bastante interessante e importante da obra. Essa questão de ser perfeita que livro trás, na realidade atual existe, porém o livro leva de forma diferente. Porém continua discutindo essa questão "polemica". E bem... é tão bom ver autora com Cecilia Ahern trazendo essa assuntos em livro. Adoro ela

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  10. Olá Carolina,

    Esse livro está na minha lista de desejados e essa é a primeira resenha que leio dele, não sabia que era distópico também, já quero ler para ontem....bjs.


    http://devoradordeletras.blogspot.com.br/

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  11. Carolina!
    Apesar de gostar de distopia porque mostram a questão do poder governamental para controlar e 'bitolar' a sociedade de acordo com as regras que impõe, sempre me questiono sobre alguns 'furos' que ficam durante os enredos e aqui não foi diferente.
    A hipocrisia é mostrada de forma bem ampla e podemos trazer para nossa própria realidade, já que os 'colarinhos brancos' tem mais dificuldade em serem condenados e os pobres que cometem pequenos delitos, são logo crucificados.
    Gosto da autora e quero ler mais esse livro dela.
    “Não há nada bom nem mau a não ser estas duas coisas: a sabedoria que é um bem e a ignorância que é um mal.” (Platão)
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com.br/

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  12. Que escritora mais linda e aparentemente fofa. Nunca li nada da autora, mas este livro me cativou muito pelo fato de ter uma mulher quer quer mudar. Parece ser uma distopia muito boa e cheia de curiosidades. Já quero ler.

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  13. Oie Carol! Também tenho esse fato na minha vida de ter amigos que amam a autora e outros que detestam, li apenas dois livros dela, os outros vi apenas as adaptações, mas curto muito. A Cecelia sempre dá um jeito de incluir assuntos sociais nos livros dela, e abordar vários temas abertamente, recomendo ler " A Lista" que também é da autora, tem uma história maravilhosa.
    .
    mas voltando à resenha, percebo que a autora criou uma ótima distopia baseando em preconceitos e realidades da sociedade atual, espero ter a oportunidade de ler, já que é o primeiro livro do gênero que ela escreveu. ♥

    Ótima resenha Carol!!!

    Paradise Books || @ParadiseBooksBr
    xoxo

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  14. Amoooo a Cecelia Ahern!

    Ainda não tenho este livro e quando você falou que é uma trilogia... MORRI! Preciso deste livro URGENTEEEE!

    Beijos,
    Danny
    Irmãos Livreiros

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