A Rainha do Sul

Autor: Arturo Pérez-Reverte
Título original: La Reina del Sur
Tradução: Antonio Fernando Borges
Editora: Record
Páginas: 518
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| Livro cedido em parceria com o Grupo Editorial Record |

Sinopse: Teresa Mendonza nasceu em Culiacán, no México. Pobre e com pouco estudo, foi estuprada e quase morta depois de o namorado, piloto de avião que trabalhava para o cartel local, ser assassinado pelo chefe do tráfico. A jovem então se vê forçada a fugir para a Espanha, onde seu instinto criminoso vem à tona. Lá, ela não tem escolha a não ser aceitar uma realidade impiedosa, na qual não há bem ou mal, e sim o reflexo de um universo cruel, onde matar, morrer, enganar e corromper faz parte do cotidiano. Agora, a Mexicana, como é chamada no submundo do crime e pela imprensa, é a traficante mais poderosa da Espanha, dona de um império camuflado de transporte de drogas na Costa do Sol. Uma história de corrupção, amor e intriga que nos revela o melhor e o pior que existe no ser humano. Pérez-Reverte cria um retrato perfeito do submundo do tráfico na Espanha mesclando fatos e ficção, sexo, drogas e violência, numa narrativa avassaladora. A saga épica de Teresa Mendonza atravessa décadas e continentes numa história repleta de sensualidade, crueldade, amor, traição, vida e morte.

Algo que não costumo comentar sobre mim, nem por vergonha nem por falta de interesse, é o fato de eu ser noveleira. Não, não vejo novelas da Globo. Eu vejo novelas mexicanas. Várias. Tipo muitas.

Desse modo eu não tinha como deixar essa oportunidade passar. Assim que vi A Rainha do Sul como uma opção de leitura, pensei “gosto de novela > gosto de livro > livro que deu origem à novela de que eu gosto > quero”. 

Não sei quantas pessoas chegaram a ver aqui no Brasil a versão em novela A Rainha do Tráfico e a sua versão em série (com a Alice Braga, diga-se de passagem) A Rainha do Sul¸ mas eu vi e me apaixonei pelas personagens. Por isso precisava ler. 

Em termos gerais, a história conta a trajetória conturbada e perigosa de Teresa Mendoza, conhecida como “a mexicana”. Sua vida dá uma guinada quando Ruço, seu marido aviador — que trabalha para os chefões do tráfico em Sinaloa — é morto. Sem tempo a perder, Teresa precisa fugir. E rápido.

O telefone tocou e ela compreendeu que iam matá-la. [...] Porque os contrabandistas, [...] esses não perdoam nada. Ruço tinha usado as mesmas palavras, rindo como costumava fazer, enquanto lhe acariciava a nuca e lhe atirava o telefone no colo. Se um dia ele tocar, é porque eu estarei morto. Então corra. O mais que puder, neguinha. Corra e não pare, porque eu não estarei ali para ajudar. E, se chegar viva aonde quer que seja, vire uma tequila em minha memória. Pelos bons momentos, minha flor. Pelos bons momentos.     P. 9-10

O livro segue a vida inteira de Teresa, desde uma doleira pobre no México até a traficante poderosa na Espanha. 

Sem ser a protagonista a narradora, é dado ao leitor um argumento não só plausível como real: o narrador é um jornalista espanhol que, interessado em compreender a história dessa mulher, é levado de relato em relato a juntar as peças do quebra-cabeça que é o tráfico — de drogas e de informações. 

Começando pela própria Teresa, no início do livro, já como uma mulher de poder, vai sendo criada uma imagem pouco a pouco, tanto por opiniões diversas de traficantes e autoridades quanto pela recriação de Pérez-Reverte dos acontecimentos.

Em várias ocasiões, se arriscava conversando com os envolvidos, de alguma forma, no percurso percorrido pela mexicana.

Aqui existem regras, comentou. Ninguém as escolhe, já as encontra prontas quando chega. Tudo é uma questão de reputação e respeito. É o que acontece com os tubarões. Se você afrouxa ou sangra, os outros pulam em cima.
P. 53

A cada capítulo, o leitor se depara com um pouco do relato jornalístico-literário e um pouco da trama de Teresa. Esse recurso, além de atiçar a curiosidade, traz uma sensação de que a história está sendo contada em uma roda da qual o leitor participa como observador. É uma imersão muito profunda, porque o narrador em primeira pessoa conta os fatos que descobre ao decorrer do livro, o que deixa mais dinâmicas as partes com menos ação.

Outra característica excelente no livro é a maneira brutal como as coisas acontecem. Há cenas fortes — muito fortes — em que nada é poupado: o grotesco não é censurado, o medo é real e a aflição toma conta em vários trechos, já que não a ação se dá no momento da leitura. Em alguns momentos, fica difícil acompanhar Teresa, mas permanece o interesse em ir até o fim para entender como se tornou a mulher poderosa, e até temida, pintada pelos relatos. 

É empolgante, bem narrado e um romance bem amarrado no que diz respeito aos fragmentos dados, quando se unem e recriam, de fato, Teresa Mendoza, A Rainha do Sul. Arturo faz um trabalho excepcional, que deveria ser mais reconhecido, principalmente ao retratar a América Latina com a realidade despida que merece, sem romantizar ou esconder debaixo do tapete os momentos mais desagradáveis que todos conhecemos. 

Recomendo, além do livro, a novela com Kate del Castillo como Teresa. Talvez tenha sido apenas minha visão contrastada com a da novela mexicana, mas não preferi a versão americanizada, apesar de muito bem ambientada e com ótimas atuações. 

Deixo aqui, então, a promo da série e a abertura divertidíssima da novela, para assistirem a que preferirem e decidirem por si mesmos. Espero que gostem!










12 comentários :

  1. Oii Bel! Eu estava curiosa pra ler uma resenha desse livro, comentaraam cmg a respeito da obra q eu não conhecia, e gostei mto! Gosto qdo a leitura flui agradável como eh o caso da narração...com toda ctz vou qrer conferir!
    Bjs

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  2. Oi Bel eu já tinha ouvido falar de ambas as versões para TV dessa história, mas não sabia que existia um livro e achei bem legal. Contudo você disse que o livro não tem censura, é bem forte, então eu imagino que o autor não tenha suavizado nenhuma cena e isso me preocupa, pois não sei se sou assim tão forte rs. Ainda assim, talvez eu dê uma chance a uma das versões televisivas, só não decidi qual ainda ;)

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  3. Não conhecia a novela, mas ganhei o livro A Rainha do Tráfico e ouvi falar sobre a série, mas ainda não li e pretendo assistir a série. Deve ser interessante saber como Teresa entrou para essa vida e deve ser cruel, pois tem cenas fortes.

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  4. Novelas mexicanas são tudo de bom e mais um pouco, adoro também haha
    Não conhecia o livro ainda, mas fiquei super empolgada com sua resenha.
    Parece ser uma história incrível, me deixou muito curiosa.
    A leitura parece ser bem delicinha.
    Já vou procurar saber mais sobre as obras, tanto livro, como seriado e novela. Já quero conferir tudo haha
    Beijos,
    Caroline Garcia

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  5. Nunca fui muito chegada em novelas, mas acho super legal quem curte, e mais ainda aqueles que admitem. Esse livro parece ter uma história bem dramática daquelas que deixa a gente sem fôlego, fiquei muito feliz de ver a sua dica, espero poder conhecer muito em breve.
    Um abraço!

    http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

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  6. Oi, Bel!!
    Não conhecia esse livro mais já ouvi falar desse novela mexicana que é protagonizada por Alice Braga. Gostei bastante do livro e também achei muito legal essa novela mexicana parece ter muita ação e intrigas! Fiquei super curiosa para assistir a série e ler o livro.
    Beijoss

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  7. Olá.
    Teve uma época da minha vida que assistia a muitas novelas e adorava. Mas depois abandonei, por vícios como a leitura e séries. Não conhecia o livro e nem as adaptações novela/série. Mas gostei da premissa e de tudo que você comentou. Talvez venha ler o livro. Obrigada pela dica e pela ótima resenha. Beijos.

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  8. Amo novelas mexicanas!!!
    Já tinha escutado falar da série,mas não cheguei a acompanha-la.Gostei do enredo da historia.Vou procura a sério ou a novela para assisti-la.

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  9. Oi :)
    Também sou muito noveleira mas eu já prefiro as da Globo, são poucas as novelas mexicanas que eu gosto. Enfim, não me interessei muito pela estória do livro, nada me chamou a atenção, então por enquanto não tenho vontade de ler esse livro. A capa ficou maravilhosa, Editora Record ta sempre me surpreendendo.
    Beijos.

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  10. Oi, não conhecia o livro ou as novelas, achei o plot bem interessante, também sou bem noveleiro me interessei por as duas versões.
    Abraços
    http://imaluado.blogspot.com.br

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  11. Bel, também sou noveleira mexicana.
    Aliás, fui mais. Faz tempo que não assisto.
    Mas as novelas da Thalia terão eternamente espaço no meu coração.
    Essa em questão eu não conhecia, mas adorei a premissa do livro e sinto que vou gostar, mesmo que seja impressionável e vá sofrer um pouco com as cenas fortes.

    Beijoooos

    www.casosacasoselivros.com

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  12. Quando mais nova, eu era bastante noveleira, mas de uns dois anos para cá parei de assistir. Não sei se porque as novelas da globo ficam ruins ou por falta de tempo mesmo. Minha tia é apaixonada por novela mexicana e assistiu A Rainha do Sul, me recomendou bastante, mas eu não dei ouvidos. Mas agora lendo sua resenha, achei o enredo super legal. Uma mulher como chefe do tráfico é uma coisa diferente do convencional e também maravilhosa! Fiquei super curiosa.
    Bjs

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